domingo, 13 de julho de 2014

Quarto Capítulo


deixou um beijo em minha bochecha pegando uma
pontinha ínfima dos meus lábios, senti meu ventre contrair no mesmo
instante.
— Tchau.
— Tchau. — ele se foi, fechei a porta.
Selena me olhava com as mãos tapando a boca aberta. Arrastei meu corpo
até o sofá e me sentei. O cheiro dele ficou na almofada, fechei os olhos
inalando.
— Esse cara, não é de agência, não sabemos nada sobre ele, mas se você
não ficar com ele, juro que fico! Dou meu salário inteiro na mão dele!
— Nem sei o que dizer.
— Amiga! Pelo amor de Deus! Esse cara é tudo! Não só combina com você
como põe o Wilmer no chinelo! E a Ashley, aquela ladra de namorados, vai se
rasgar inteira!
— Me comportei como uma maluca! Como uma colegial boba!
— Tá muito explicado porque comprou aquele livro de culinária infantil.
Gente que homem! Seguro, com atitude, liiiiindo, e se ele tiver aquilo que
estava no site...
— Para Selena! Não vou dormir com ele! Não vou!
— Só se você for trouxa...
— Me tira uma dúvida, na hora em que ele foi pegar a bebida, por acaso
você estava mesmo manjando o pau dele ou foi impressão minha?
Sel deu uma risada e se jogou pra trás no sofá.
— Vamos sair?! Essa noite tá pedindo uma saída!
— Sel...
— Vamos!
Nós saímos, foi ótimo, dançamos, cantamos e bebemos, foda foi voltar pra
casa sozinha.
Fiquei um par de tempo olhando o teto, as sombras ocasionadas
eventualmente pelo farol dos carros que passavam. Joe, seria só isso
mesmo ou de repente Joseph? Ou algum nome estranhíssimo?
Joe. Adormeci com ele nos pensamentos.
E não eram nem oito e meia da manhã de domingo quando resolvi ligar de
uma vez.
Uma voz pra lá de sonolenta atendeu, puta que pariu acordei o cara!
Desliguei.
Ele retornou. Atendi. Fiquei muda. Senti que ele sorria, dá pra saber quando
a pessoa está rindo!
— É você, Demi?
— É. Amm... Oi.
Senti a cor sumir do meu rosto. Micão! Precisava achar um motivo por ligar
no domingo cedo!
Ouvi Joe bocejar e se espreguiçar, ele ainda estava rindo, que bom saber
que meu constrangimento o divertia!
— Desculpe ligar tão cedo no domingo, tenho certeza de que o acordei,
desculpe. — pronto, agora me pus a matraquear... aff... — É que fiquei com
uma dúvida, na verdade a gente não acertou nada, mas é que quanto sai... é...
quanto custa você?... Digo... — ele estava rindo! Rindo e rindo de mim! —
Quanto fica com beijos? — pronto falei!
— Beijos. Que tipo de beijos?
— Como assim que tipo de beijos? — minha mão estava tremendo, Jesus
Cristo, que absurdo.
— Ora, Demi, que tipo de beijos? Selinhos, beijos simples de boca aberta
e sem língua, beijo de língua... ou... o meu beijo.
— Como assim, seu beijo? Você por acaso tem um beijo?? — agora ele
estava tirando uma com a minha cara.
— Patenteado.
— Tá de sacanagem comigo?!
— Bem que gostaria de estar...
Fiquei muda e gelada, senti um arrepio estranho, calma Demetria, deixa de ser
tão carente!
Mas a verdade é que estava há quase um ano me contentando com um
vibrador de clitóris que a essa altura não estava prestando pra porra
nenhuma!
— Joe, de quanto é o acréscimo por beijo seja lá qual for? — tentei ser o
mais profissional possível, afinal era uma gestora contratual! Como assim
que de repente desaprendi a falar com um fornecedor?
Ele suspirou — Não vou cobrar pelos beijos, nenhum deles, entre a ponta
dos fios de seu cabelos até o busto e da ponta dos seus pés até o alto de suas
coxas, tá bem assim?
— Tá bem assim, obrigada pela informação e desculpe mais uma vez pela
hora.
— Era só isso?
— É. — Mais que merda, caralho!!! Novamente aquele "É" que mais parece
uma desculpa!
— Ai...ai... — ele se recuperava de uma boa risada — E quando vai precisar
de mim? Tenho que fazer a agenda do mês.
Agenda do mês? Meu Pai celeste, nunca imaginei que esse pessoal tinha
agenda! Ah! Que ignorância! Claro que eles tem agenda, pra saber com quem
quando!
— Semana que vem vou me encontrar com umas amigas na quinta-feira, pra
um Chopp, elas são as madrinhas do casamento, a noiva também vai estar lá.
— E o que quer que eu faça?
— Eu... não sei.
— Tá, já vi que é a primeira vez que contrata um serviço desses. Manda
uma mensagem com o endereço de onde estiver que eu vejo o que posso fazer por
você. Quinta que vem?!... — ouvi uns barulhinhos de gemido, os pelinhos
da minha nuca se arrepiaram. Ele continuou com o barulhinho, era algo
como hmmm...
— O que... o que você tá fazendo?
— Hmm’anotando. — será que ele pode por favor Senhor, ser menos
sensual? — certo Dona Demetria. Qualquer coisa me avise. Tchau.
— Tchau.
Ele desligou e corri para minha gaveta de calcinhas, isso estava me
deixando fora da realidade, totalmente!
Depois de aliviar a tensão daquele homem gostoso gemendo no meu ouvido
pelo telefone, fui tomar um banho, frio pra ver se abaixava a temperatura.
A verdade é que não estava certa de que ele era o cara ideal pra essa
missão, Joe era muito homem, aonde por acaso ia dizer que o conheci?
Não havia pensado nisso! Será que digo que foi na academia? Assim justifica
aquele corpo maravilhoso que ele tem... Mas minhas amigas sabiam que eu mal
pisava em uma academia. Que trabalha comigo também não, será que ele sabia falar
sobre administração de empresas? Ah! Deveria sim, afinal ele administrava a
empresa dele né?!
Passei o domingo pensando no assunto, mas nada que me impedisse de
viver.
Sel e eu fomos ao cinema, adoro ir ao cinema em dia de domingo,
infelizmente ou felizmente ela acabou encontrando uma “ ex amiga” da época
da faculdade e fiquei meio que sobrando, de vela.
A bissexualidade de Sel sempre foi o que mais me orgulho nela, nos
conhecíamos desde... sei lá, desde sempre, morávamos no mesmo prédio,
brincamos juntas, estudamos juntas, fizemos recuperação juntas, faculdade,
muita coisa com aquela magricela maluca.
Éramos muito amigas e muito parceiras também, fui uma das primeiras a
saber que ela estava se interessando também por meninas, na mesma época
que ela acobertava minhas saídas pra namorar escondido.
Conhecemos Ashley na faculdade, passamos a ser três amigas, até que
entrei no banheiro da boate em que estávamos e vi o Wilmer, meu ex comendo
ela por trás, a saia dela parecia um cinto atado na cintura, ele com a calça jeans
pela  metade da coxa.
Sabe qual foi a pior parte? Já havia bebido todas e mais um pouco, me virei
no primeiro vaso que encontrei livre e menos sujo e comecei a vomitar, de
cachaça nas ideias, de nojo deles, de raiva, de susto, e quem segurou meu 
cabelo foi ela, e foi ele quem apoiou meu corpo pra eu não cair de cara no vaso,
tamanha minha tontura alcoólica!
Fiquei ouvindo os dois se explicarem na semana seguinte, imagina só, ter
de ouvir do meu namorado de quase quatro anos que ele e minha amiga
estavam apaixonados, ela dizendo que não foi por querer, ele que Ashley era a mulher
de sua vida, e ambos me agradecendo por tê-los apresentado.
Deveria ter arrebentado os dois de porrada, deveria ter tocado fogo neles!

Mas ouvi tudo calada, sufocando um bolo enorme na garganta, prendendoos
lábios nos dentes enquanto meu corpo tremia inteiro de ódio.
Fiquei sentada de braços cruzados enquanto eles acabavam comigo.
Sel voltava de uma má sucedida campanha amorosa com essa ex dela
que encontramos no cinema, e nos acabamos de tanto beber caipirinha.
Mas isso tudo aconteceu há muito tempo... mentira, faria um ano naquele
mês de junho.
Inferno.
Segunda-feira chata, terça-feira ótima, meu chefe resolveu nos presentear
com sua ausência, quarta-feira tediosa e quinta-feira de quebra pau, sumiu um
documento importante, procuramos em tudo quanto foi arquivo e nada,
sobrou na pasta somente a cópia, que não tinha validade legal nenhuma! 
Daria uma enrabação geral, sem dúvida!
Mas sabe quando respirei aliviada? Quando dei a primeira golada no meu
Chopp. Tipo, amanhã a gente vê a merda que vai dar.
Meu rosto paralisou no meio da segunda rodada quando vi aquela vadia da
Ashley chegando com a Miley, minha cunhada. E a cachorra estava linda, de
calça de couro marrom e blusa vermelha. Ai que ódio que me deu por estar de
calça social preta e blusa de um ombro só branca coberta por um terninho.
Sel me olhou preocupada, mas fui super educada.
Taylor, Tiffany e Chritina também me olharam, mas sorri de volta e vi Tiffany
fazer mímica de “ fica calma”. Não pensei duas vezes em mandar o endereço
do barzinho para o Joe.
Não comi nada, não queria ter que mastigar, acho que não suportaria, fiquei
bebendo e bebendo e bebendo até ficar entre aquele estágio de estou bêbada
mas levemente consciente.
Minhas amigas riam muito com as coisas que dizia e estava falando sério e elas rindo, Ashley também ria e fazia a linha de “ não tem nada de errado aqui", vadia.
De repente, elas pararam, ficaram sérias. Sel abriu um sorriso desses que
mostra todos os dentes, e eu lá falando merda atrás de merda.
Foi quando senti um par de braços fortes em volta do meu corpo, o
perfume Armani e me virei pra olhar


Continua...

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