sexta-feira, 11 de julho de 2014

Terceiro Capítulo


Gaguejei.
— É... oi... é... eu.. é...
— Quer marcar um programa. — ele perguntou ou afirmou?
— É. — minha voz saiu quase que um pedido de desculpas!
— Mulher ou homem?
— Mu-mulher... mulher!
Pude sentir que ele sorria do outro lado da linha, meu Deus que ódio de
mim!—
Tá, uma mulher... várias mulheres... só mulher...
— Só eu.
— São cento e vinte a hora, vaginal, a posição que você escolher, não faço
chuva de cor nenhuma, dourada, negra, e não aceito isso também, nada com sangue, crianças, animais ou árvores... — Crianças?? Árvores?? Ele
continuou com as condições e precisei interrompe-lo.
— Moço. Moço! — ele se calou — Sou só eu, sem vaginal, oral ou anal.
— ele ria do outro lado da linha, uma risada gostosa, Selena segurava a boca, até
então não havia tido nenhuma conversa assim, na agência era diferente, só
precisei dizer que queria um acompanhante para um fim de semana
prolongado e pronto!
— Isso é trote, moça? Se for, não ligue, não posso ficar ocupando essa linha
com besteiras e...
— É sério! Só preciso de um acompanhante.
Ele ficou mudo. Será que estava pensando?
— Certo...onde podemos nos encontrar?
— Anota o endereço.
Passei meu endereço a ele enquanto Sel ficava gesticulando que era
louca, pra não fazer isso. Mas eu fiz! E depois fiquei morrendo de medo!
Foram mais de um século pra ele chegar, na eternidade de quarenta e cinco
minutos, meu coração estava saindo pela boca! Sel resolveu manter um
spray de inseticida à mão, afinal de contas, a gente não tinha spray de pimenta
nem gás lacrimogênio!
A campainha tocou, Sel se levantou num pulo e olhou pelo olho mágico,
se virou pra mim, com uma cara insana, a boca se abrindo aos poucos até
formar um O, estava eufórica, se abanava com uma das mãos e a outra no peito. 
Fui até porta, ele tocou novamente a campainha, olhei pelo olho mágico, mas ele
estava apoiado na porta, cabeça baixa, só vi seus cabelos repicados.
Franzi o cenho, Sel foi para o sofá, do lado oposto ao que havia escondido
o spray de inseticida.
Respirei fundo e abri a porta.
O cara levantou o rosto e eu congelei. Ao mesmo tempo que minhas pernas
tremeram.
Ele sorriu, fazendo que não com a cabeça, umedeceu os lábios com a língua
e voltou a sorrir de lado.
O cara da livraria.
Fiquei tão sem ação que ele levantou as sobrancelhas, esperando que eu
dissesse algo, como não disse, fiquei feito uma retardada na porta,Sel
veio em meu socorro, me puxou de leve para um lado e o convidou pra entrar.
Senti o ar sair dos meus pulmões. Eu estava prendendo a respiração????
Que ridícula!!!
Espera! O cara culto da livraria era um garoto de programa??? Meu Deus!
Esse mundo tá perdido!
— Oi, me chamo Sel, essa é a Demi. Senta aí. — Sel indicou o sofá e
ele sentou justamente onde ela havia escondido o spray.
Ele se recostou e sentiu algo o incomodando, puxou a lata de inseticida e fez
uma cara de “ eu hein”, deixou a lata no chão, ao lado dele e ficamos super
sem graça.
Estava tão bem vestido, uma calça social cinza matizada, sapato social preto, camisa polo da Lacoste preta, relógio de prata, quando passou por
mim senti um cheiro bom, tinha quase certeza de que era um perfume Giorgio Armani,
mas sei lá, estava tão desorientada de ver o cara ali que me perdi nos
pensamentos.
Me sentei na poltrona de frente pra ele, Sel no sofá, mas na outra ponta.
Ele ficou com pena da gente e começou a falar, parecia que era ele quem
estava nos contratando!
— Podem me chamar de Joe. Então meninas, qual de vocês precisa dos
meus serviços?
Levantei a mão meio envergonhada, Deus!!!! Voltei pra sexta série!
— Tá, é... Dani...
— Demi. — corrigi. Que mania que as pessoas tinham de trocar meu
nome por Demi, nada a ver!
— Tá legal, desculpe, Demi. Quando você disse sem vaginal, oral ou anal,
o que tinha em mente? Ir em algum evento com você? É isso?
— Isso.
— E, você não tem namorado? — ele parecia incrédulo, enquanto
gesticulava, era tão desenvolto...
— Nnnnão.
— Eu já vi que essa conversa vai ser longa. Posso? — ele indicou o
pequeno bar que tinha próximo a televisão.
Fiz que sim com a cabeça e ele foi lá, se servir, como se estivesse em casa!
Sel abriu a boca mais uma vez e abriu as mãos também, fazendo mímica,
“ nota dez” mexeu os lábios.
— Demi, toma alguma coisa comigo? — ele estava me oferendo minhas
bebidas?? — Sel? — ela fez que não, ele me olhou esperando eu
responder.
— Uma tequila. — eu estava aceitando??!! Ai meu coração tinha que parar
de pular daquele jeito!
Ele se serviu de uma dose de Absolut e misturou com alguma outra coisa,
voltou com os copos, me entregou um, agradeci e ele os bateu num brinde
mudo.
Voltou a se sentar, visivelmente mais relaxado, de pernas cruzadas.
— Que tipo de evento é?
— Meu namorado vai casar com o padrinho do meu ex irmão...
Joe virou o rosto confuso e Sel deu uma gargalhada, só então percebi as
asneiras que estava falando. Segurei a boca e arregalei os olhos, que desastre!
— O irmão dela vai casar, e o ex namorado vai ser o padrinho, mas ele está
namorando uma moça linda, que foi nossa amiga de faculdade.
— Mas ela não se formou! — precisava dizer aquilo!
— Tá bem... Por quanto tempo vai precisar de mim?
— O casamento vai ser no feriado em Setembro. — Sel continuou
respondendo por mim.
— Mas tem tempo daqui lá. Demi. — ele me chamou.
— É que haverá uns eventos, ensaio de casamento, coquetéis, chá de
panela e... e... seria estranho...
— Se você aparecesse no dia casamento, do nada com um namorado. —
ele pega as coisas rápido.
— É.
Ele deu um sorriso aberto, lindo.
— Gosto desse seu “ é”.
Olhei pra Sel e ela envergava a boca pra baixo, um sinal de afirmativo
surgia discretamente em sua mão direita, escondidinho dele.
— Escuta, Demi, a gente não se esbarrou na livraria na terça-feira, acho?
— É. — outra vez esse maldito “ é”, mais parece um pedido de desculpas!
Droga!
— Você é o cara da livraria? — Sel estava boquiaberta — Tá explicado!
— O que? O que tá explicado? — ele olhava curioso pra ela, que me olhava
e eu fazendo que não, ele me olhou e olhou de volta pra Selena, os olhos se
apertando um pouco, a cabeça levemente inclinada... Espera aí! Ele estava
seduzindo minha amiga?
— Ela comprou um livro qualquer só pra ir pra fila atrás de você. — ela falou!
Falou? Quase cuspiu a frase inteira!
— Jura, Demi? — Senhor!!! Cadê um buraco pra eu me enfiar??!! —
Pensei que só quisesse ver o meu livro.
Agora minha boca abriu de vez. Ele percebeu! Que merda do caralho!
— Eu... eu... — bebi a tequila de uma vez!
— Como não perceberia, você estava “ lendo” uma revista de ponta cabeça.
— escondo meu rosto em uma das mãos — Por isso deixei você matar sua
curiosidade, claro, depois de ficar brincando um pouco com seus contorcionismos.
Ele ria livremente da minha cara, estava absolutamente à vontade, que homem é esse??
Ele mordeu o lábio antes de continuar falando.
— Mas achei bonitinho.
Eu ri um sorriso amarelo.
Então ele olhou no relógio, suspendeu as sobrancelhas e se levantou,
instintivamente me levantei também. Joe deixou o copo no bar e se
dirigiu à porta.
Pelo menos consegui ir até ele e abrir a porta.
— Sel, prazer em conhece-la. Demi, como no seu caso não tem sexo,
são trezentos Reais por dia ou obviamente cento e cinquenta por meio
período de evento, você tem meu telefone, se resolver alguma coisa.
Se aproximou de mim, era bem mais alto que eu, cheiroso demais, segurou
no meu queixo me olhando nos olhos, pensei que fosse me beijar, meu
coração pulando feito louco no peito! Fechei os olhos.
Joe se inclinou 

Continua...


Se tiver comentário posto o quarto ainda hoje!!! s2 s2 s2 s2 s2

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