Quinto Capítulo
Seu rosto já colado ao meu e me beijou, selou
nossos lábios e praticamente forçou que abrisse a boca para que me invadisse
com sua língua macia sabor hortelã.
Não ouvi mais nada. Então me soltou, ainda mantendo a menor distância
possível entre nossos rostos.
— Oi, amor.
— Oi. — não sei se respondi direito ou se sussurrei.
Ele se afastou e se pôs ereto, estava de terno e gravata, e não era um
desses de lojinha não, ele estava com um terno de marca, bem cortado e bem
caro pelo visto, mas tinha alguma coisa de diferente, os cabelos estavam
claros.
— Oi Sel. — ele cumprimentou.
— Oi Joe.
As meninas olhavam pra ele com a boca entreaberta, Ashley piscava o olho
sem parar, Sel sorrindo deu mais um longo gole de Chopp.
— Amor, por que não me falou que viria pra cá? — sua voz era segura e
suave ao mesmo tempo. Me segurou a mão me pondo de pé diante dele.
Precisava embarcar na dele!
— Desculpa, pensei que ficaria no trabalho até tarde.
— Não, sai ainda agora, por sorte passei por aqui e te vi.
Joe se inclinou e me deu um selinho.
— Deixa te apresentar minhas amigas! — ele me olhava com um estranho divertimento no olhar, deve ter pensado que agiria como das outras vezes, uma pateta! — Miley, a noiva do meu irmão, já te falei dela, Ashley, Tiffany, Christina e Taylor, Selena você já conhece.
— Boa noite, senhoritas.
Elas só faltaram derreter! Até mesmo Miley! Também... quem usa “ senhorita”, hoje em dia?
O cumprimentaram e antes que começasse a chuva de perguntas nos afastamos delas.
— Você veio! Você veio! — segurei em seu rosto, feliz da vida!
— Claro que vim, você me mandou o endereço, lembra?
— É, mas não achei que viria! Ah! Sei lá o que achei!
— Você tá chapadinha né?!
— Só um pouquinho — indiquei com o dedo.
— Deixa ver se é só um pouquinho mesmo.
Joe me puxou para um abraço apertado e não recuei, passei os braços em
torno de seu pescoço e ele abaixou o rosto para me beijar mas não beijou,
ficou brincando, me fazendo buscar pelos seus lábios enquanto ele recuava,
sorrindo, e me dava acesso e quando avançava, me negava, minha vez de sorrir e ele
tocou meus lábios com sua língua, senti um calafrio na espinha.
Joe tomou minha boca, deslizando sua língua em meus dentes antes de
encontrar a minha e puxa-la nos lábios, meu corpo inteiro entrou em combustão.
Depois um beijo de língua normal e uma mordida no meu pescoço logo
abaixo do lóbulo de minha orelha. Naquele instante pude ver que as meninas
não tiravam os olhos de nós e Letícia ainda estava boquiaberta.
Joe continuou brincando com meu pescoço, me arrepiando inteira.
— Agora é um bom momento pra sairmos daqui.
— Também acho. — respondi revirando os olhos.
— Me dá um minuto.
Théo arrumou os cabelos e se afastou para dentro do bar.
Enquanto isso fui me arrastando das nuvens até a mesa.
— Demi, quem é esse homem? — Miley estava se roendo de curiosidade.
— Hmmm... — fiquei fazendo charme.
— Sel não quis contar! — agora era a vez de Taylor se morder de
curiosidade.
— É... meu...
Joe me interrompeu puxando pela minha cintura, me fazendo girar em meu
eixo e me beijou mais uma vez.
— Meninas, as rodadas anteriores foram por minha conta.
— Ah! Como assim? — Sel olhava espantada.
— Como assim que agora vou levar a minha garota de vocês.
Minha garota? Gente, quem fala isso? Minha garota?
Me despedi rapidinho com um tchau bobo com a mão apressada e fui
praticamente arrastada aos risos e gargalhadas, e como dois amantes
apaixonados fomos embora.
No estacionamento do Edifício garagem Joe se aproximou do Hyundai Sonata preto e as portas se destravaram.
— Esse carro é seu ou você alugou só pra me buscar?
— É meu. Entra.
— Pra onde a gente vai?
— Para o seu apartamento.
— Ah não... Você me tirou no melhor do Chopp...
— Você já está bem chapadinha, Demi. Precisa se controlar ou pode
acabar soltando a língua.
— Você é um chato! Lindo de morrer, mas um chato!
Ele riu mais uma vez de mim! Balançando a cabeça.
Não me lembro de muita coisa depois disso, só uns momentos em flash,
lembro dele ter aberto minha bolsa, mais beijos, o rosto dele sobre o meu,
como se estivesse olhando um anjo descendo do céu. E... e... não lembro.
Acordei com o despertador do celular, abri os olhos com uma preguiça
horrível! E uma dor de cabeça de lascar!
Aí me dei conta de que estava em casa, estava mesmo em casa, na minha
cama, enrolada no lençol feito um casulo, e estava nua! Ai meu Deus! O que
aconteceu? Minha roupa estava dobrada em cima da cômoda. Foi
espontâneo, passei a mão entre minhas pernas e estava um pouco úmida. Mas que
caralho eu fiz???
Primeira coisa depois do banho e foda-se que eram seis da manhã! Ligar para o Joe.
Mas o filho da puta deixou o telefone desligado! Desgraçado! Ai, minha
cabeça doía tanto! Acho que bebi muito além do que supunha.
Encontrei com Sel no elevador do prédio em que trabalhávamos no Centro do Rio, estávamos ambas com um copo de café em punho e óculos escuros
pra cobrir a vergonhosa ressaca.
— E aí? Deu?
— Bom dia pra você também, Carolina.
— Bom dia é o caralho, ele te comeu ou não?
— Não... sei.
— Como é? Ouvi direito?
— Não sei, tá legal? Não sei!
— Tá me zuando né?
— Ah antes estivesse... — passei a mão nos cabelos, estava aflita.
— Que perigo, Demetria!
Descemos no nosso andar e andamos em silêncio até nossas mesas.
— E você acha que eu não sei? Tô aqui em pânico!! — gritava em sussurro,
tentando conter meus maiores medos.
— Esse pessoal pode ter Aids! Gonorreia! Sifilis! HPV... — ela também
gritava em um sussurro abafado
— Já entendi Selena! — minha voz saiu um pouco mais alta que o planejado
— Já entendi porra!
— E a gente nem pensou em pedir um teste desses de DST!
— A gente? Eu, você quer dizer! Além do mais nenhuma de nós duas
pensou em mais nada depois que ele entrou lá no meu apartamento!
— Lembra que você disse que ele perguntou se era pra fazer com homem
ou mulher? Então... Ai amiga, que merda! Que merda!
— Que cu! Tô fudida! Pior que acordei nua!
— Que merda! Que merda!
— Com a xereca molhada — praticamente fiz mímica pra dizer aquilo.
— Que merda do caralho! E agora? Já tentou falar com ele?
— Claro! E só escuto aquela vagabunda dizendo que minha chamada será
encaminhada para a caixa de mensagens!
— E estará sujeito a cobranças após o sinal... — Carol completou fazendo
graça com a minha desgraça — E tá faltando alguma coisa na sua casa?
— Não! Tudo ok. — respirei fundo, apavorada — Não sei o que fazer!
— Liga agora pro laboratório e pede um exame completo de urgência!
— Sem a prescrição médica?
— Alooow! — Sel mostrou um papel de Atestado de Saúde Ocupacional.
Foi exatamente o que fiz, politicamente incorreta, utilizei um dos contratos
com um laboratório e fui fazer o exame, próximo ao primeiro local onde nos
encontramos, na rua do Ouvidor, confesso que fiquei andando meio que
procurando por ele, mas é óbvio que não o encontrei.
Assim que pisei fora do laboratório meu celular tocou. Atendi de imediato.
— Joe!
— Nossa! Bom dia! Quanta saudade... — ele estava sendo sarcástico!
— Joe, pelo amor de Deus o que aconteceu?
— Como assim o que aconteceu? — ele parecia ofendido!
Ai que merda! Ele me comeu e o pior é que eu nem lembro!
— O que aconteceu com.... a gente...
Ele deu um tempo do outro lado, o que me deixou ainda mais nervosa.
— Demi, você usa pílula?
— O que??? — tenho plena consciência de que dei um grito no meio da
Avenida Rio Branco
— Perguntei se usa pílula, afinal você está no seu período fértil.
— Como assim eu tô no meu período fértil? Seu maluco! Você... você...er...dentro?
Mentalmente e no meio de toda aquela confusão de pensamentos, fiquei
tentando lembrar de uma farmácia próxima! Pílula do dia seguinte!
Finalmente ele teve dó e se pôs a rir com vontade!
— Fica calma, é brincadeira.
— Que parte? Foi fora pelo menos? Você usou camisinha? A gente...
— Demi. Demi! Não aconteceu nada.
Me deu um alívio imediato, senti meu corpo flutuar e de repente bater com
tudo no chão ilusório dos meus pensamentos.
— Por que não aconteceu nada? Se acordei nua! Por acaso eu sou indesejável?
— Não mesmo... Foi deveras um esforço sobre humano não enfiar a pica na
sua boceta. — ui! Primeiro ele fala todo polido pra depois mandar esse
linguajar chulo.
— Então... por que... por que...
— Nós temos um acordo comercial, senhorita, não um encontro romântico.
— sabe balde de água fria? — Portanto, seria no mínimo ante ético da
minha parte usufruir do seu maravilhoso corpo por puro prazer, meu prazer, já que a
senhorita estava praticamente morta.
— Não aconteceu nada. — constatei num misto de surpresa, tranquilidade e
contraditoriamente inquietação e frustração.
— Não mesmo. Mas pensando muito sobre o assunto, lembrei-me de algo
imprescindível, um exame de sangue, estou à caminho do laboratório
resolver esta questão, espero que faça o mesmo. Para o caso da senhorita aditar nosso
contrato com novas cláusulas.
— Engraçado, o senhor, falar disso, pois foi exatamente o que acabei de
fazer! — atravessei a rua quando o sinal fechou para os carros.
— Excelente.
— Excelente. — remedei o jeito dele falar.
— Não se esqueça dos meus cento e cinquenta. Mandei um sms com a
agência e conta em que deve depositar o valor, pelo que vi na sua carteira, é
o mesmo banco. Faça a transferência ainda hoje, para que possamos prosseguir
com nosso acordo.
— Sem dúvida farei.
Dá pra acreditar nisso? Esse cara é muito louco mesmo!
Me joguei na cadeira de rodízio e ouvi as rodinhas da cadeira de Sel
deslizando pelo carpete.
— Que cara é essa?
— Joe ligou.
— Ai meu Deus, vocês fizeram? Ele tem alguma doença? Você tá grávida!
— Para de falar besteira! Não aconteceu nada.
— É? Por que não?
— Seria “ ante ético”.
— Vixi! Amiga, esse cara é um profissional do sexo e leva isso muito a
sério.— Percebi.
— Mas você não parece muito contente com isso.
— Ah! Sei lá...
— Demi você tá apaixonada pelo Joe?
Continua...
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